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Juros abusivos no empréstimo: como pedir revisão

Seu empréstimo cobra juros muito acima do mercado? Entenda quando a cobrança é abusiva e como pedir a revisão do contrato.

Você fez as contas e descobriu que vai pagar quase o dobro do que pegou emprestado. Bateu aquela sensação de que tem alguma coisa errada nesse contrato, e provavelmente tem mesmo.

Juros abusivos são aqueles cobrados muito acima da média praticada pelo mercado para o mesmo tipo de operação. Quando isso acontece, você pode pedir a revisão do contrato, na via administrativa direto com o banco ou pela via judicial, para reduzir a taxa ao patamar de mercado e recalcular o saldo devedor. O ponto de partida é comparar a sua taxa com a média divulgada pelo Banco Central.

No Brasil não existe um teto único de juros para os bancos. A famosa regra de 12% ao ano não se aplica às instituições financeiras desde decisões antigas do Supremo Tribunal Federal. Então a pergunta certa não é "o juro passou de 12%?", e sim "o juro está muito acima do que o mercado cobra para esse mesmo produto?".

A abusividade aparece quando a taxa do seu contrato destoa de forma exagerada da média de mercado divulgada pelo Banco Central. Se a média para crédito pessoal está em torno de um valor e o seu contrato cobra muito acima disso, sem justificativa, há um forte indício de abuso. Isso é comum em crédito pessoal, cheque especial, cartão de crédito rotativo e financiamentos.

Você tem direito a um contrato equilibrado. O Código de Defesa do Consumidor considera nula qualquer cláusula que coloque você em desvantagem exagerada ou que seja incompatível com a boa-fé. Você também tem direito à informação clara sobre o custo total da operação, incluindo o Custo Efetivo Total (CET), que reúne juros, tarifas e encargos.

Se a Justiça reconhecer o abuso, a taxa pode ser reduzida à média de mercado e o saldo, recalculado. Em muitos casos, isso significa parcelas menores e devolução de valores pagos a mais.

Desconfia que está pagando juros muito acima do justo? Faça o diagnóstico com a LEXia para entender a sua situação e, se fizer sentido, fale com um especialista que pode avaliar a revisão do seu contrato.

Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um advogado de confiança.

1. Reúna o contrato completo e o extrato das parcelas pagas.

2. Localize no contrato a taxa de juros mensal, a anual e o Custo Efetivo Total.

3. Consulte no site do Banco Central a taxa média da modalidade do seu crédito na época em que você assinou.

4. Compare. Se a sua taxa está muito acima da média, separe esse comparativo.

5. Procure o banco e peça a revisão por escrito, guardando o protocolo.

6. Se não houver acordo, registre reclamação no Banco Central e no consumidor.gov.br.

7. Persistindo o abuso, fale com um especialista para avaliar a revisão judicial do contrato.

Existe um limite legal de juros para bancos?

Não há um teto fixo único. A referência prática é a média de mercado divulgada pelo Banco Central para cada modalidade.

Posso pedir revisão de um contrato já quitado?

Sim, é possível discutir valores pagos a mais mesmo após a quitação, dependendo do caso e do prazo aplicável. Vale conversar com um especialista.

A revisão apaga minha dívida?

Não. A revisão recalcula a dívida em condições justas. Você continua devendo, só que pelo valor correto.

O banco pode me negativar enquanto eu discuto os juros?

Pode, se houver parcelas em atraso. Por isso a estratégia precisa ser pensada caso a caso.

Preciso de advogado para revisar o contrato?

Para a via administrativa, não é obrigatório. Para a ação judicial de revisão, sim.

Pontos-chave

  • Contrato de empréstimo ou financiamento na íntegra.
  • Comprovante do valor que entrou na sua conta.
  • Extratos e comprovantes das parcelas pagas.
  • Carnê ou planilha de evolução da dívida.
  • Print ou relatório da taxa média do Banco Central na data da contratação.
  • Protocolos de contato com o banco.

Base legal

O Código de Defesa do Consumidor protege você contra cláusulas abusivas e contra a vantagem exagerada do fornecedor. O Código Civil traz o princípio da função social do contrato e da boa-fé objetiva, que impedem o credor de impor condições desproporcionais. O Banco Central divulga periodicamente as taxas médias de juros por modalidade de crédito. Esses dados públicos são a principal referência para mostrar que a sua taxa está fora da curva. A jurisprudência consolidada entende que a abusividade não se presume só pelo valor alto, ela precisa ser demonstrada na comparação com a média de mercado

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